domingo, 15 de abril de 2012

Cerveja de graça no quintal da Fora do Eixo.

Uma ampla casa na rua Escuvero, bairro da Liberdade, São Paulo de  portões abertos e acesso livre ao seu quintal multi-cultural de paredes e bancos grafitados, dj, mostra de vídeos, shows, pipoca e até cerveja de graça. Aos domingos funciona assim, o visitante após ver o show da banda convidada, deposita uma quantia de real  numa das urnas espalhadas pela casa. É ele quem decide "Quanto Vale o Show", e colabora. O dinheiro é dividido entre os integrantes da banda e outros artistas que também fazem o colorido do quintal na tarde de domingo. Mas, e a cerveja gratuita? As meninas que recepcionam os visitantes não souberam explicar. Elas que moram na casa e colabora integralmente na manutenção dos projetos, dizem por que estão lá e sugere outras pessoas para falar sobre o assunto. Marcos, fotografo, entrou no Fora de Eixo há dois anos como assistente de fotografo, conheceu sua namorada na casa e aguarda ser pai em breve. Ele explica que o Fora de Eixo surgiu com a música alternativa e hoje é uma rede de organização de festivais e outros projetos culturais; apoia idéias voltadas à sustentabilidade, dá apoio a outras casas e coletivos espalhados pelo Brasil. No casa habitam uma equipe formada por jovens ligados à música, vídeo e arte urbana.

Antes da banda começar a tocar, os moradores e organizadores da casa convidam os visitantes do quintal para a área do shows. A banda toca num palco psicodélico algo parecido jazz, tendo o sax como intrumento principal. O Público vê, dança e aplaude. Mais de uma centena de pessoas circulam pelo quintal, bolam e acendem seus baseados livremente. A fila para pegar a cerveja é grande. Ainda no quintal um pipoqueiro distribui pipoca para o "lariqueiros". Como parte da programação um documentário sobre a música negra dos anos setenta é exibido; alguns chegam a assistir atentos ao telão, mas a  maioria dos presentes ficam indiferentes. O culto ao baseado está em toda parte, bolados em guardanapos, em sedas e fumados até em vaporizador eletrico, "É o futuro mano'', diz o dono do objeto. Mais de 15 fotografos circulam pela casa capturando imagens, alguns montam tripés, outros agacham para ter o melhor angulo.

Mas e a cerveja, quem patrocina? Depois de explicar todos os detalhes sobre a divisão de tarefas, a criação de oficinas, o apoio a ideias sustentáveis, Marcos, finalmente, chega la no fundo,na Petrobras e na Vale do Rio Doce. "Ah, sim!" por que acreditar que o sustento da ''breja'' é puramente colaborador não cabe.

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