quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fé e devoção na Gruta da Mangabeira

Placa de boas vindas ao povoado
A história começa assim: em meados do século XVIII um vaqueiro guiava um rebanho de bois pelos sertões do município de Ituaçu, sudoeste baiano. Quando de repente, ele e o rebanho caíram num buraco de quarenta metros de altura em cima de um lajedo. No momento da queda o vaqueiro gritou:“livrai-me Deus da morte’’. Caído na pedra ele olhou pra cima e ficou impressionado com a altura do buraco, mais ainda quando viu que ao seu lado todo rebanho estava vivo. Ele fez o sinal da cruz e agradeceu a Deus. Depois de andar alguns metros debaixo da terra, o vaqueiro viu uma luz nas trevas, vinda de uma  enorme abertura, ele não só conseguiu sair como tirar de lá todo seu rebanho. 

O buraco de onde teria caído o vaqueiro
visitante observa o buraco




















O vaqueiro contou caso para seus conterrâneos, tornando-o popular. As pessoas diziam ser um milagre o fato do vaqueiro sair com vida do ocorrido. Imediatamente a igreja católica tratou de fixar um cruzeiro no local e celebrar uma missa.

Católicos iam  até ele  pedir milagres. As visitas ficaram freqüentes, e a  igreja percebeu que o local precisava ser adaptado para receber um crescente números de fiéis vindos das mais distantes regiões do nordeste, cheios de fé e devoção. Construiu-se um altar no local e  espalhou-se santos nos cantos e nos buracos da gruta. A Gruta da Mangabeira é hoje um local sagrado que recebe milhares de romeiros de várias regiões do Brasil, boa parte ainda viajam horas em paus de araras, cantando hinos religiosos, usando chapéus ornados com fitinhas coloridas de pano. 
Romeira com trajes tradicionais

Fíéis assistem a celebração da missa
Localizada no pequeno povoado da Gruta, a três quilômetros da cidade de Ituaçú, a esplendorosa caverna se transforma num importante local de peregrinação durante todo o mês de setembro. Os romeiros lotam as  pousadas e alimentam o comércio local comprando os mais diversos produtos expostos nas centenas de barracas espalhadas pelas ruas estreitas do povoado. São Toalhas de banho, cobertas, roupas, santos, relógios, bijuterias, doces e rapaduras vendidos a preços super populares.
Velas são oferecidas aos visitantes, por dezenas de ambulantes, logo na entrada. Antes de descerem uma enorme escada, os fiéis exercem a compaixão, deixando dinheiro nos pratos dos pedintes, e quando estes  ficam razoavelmente cheios de moedas, uma senhora se encarrega de esvaziá-los na sua bolsa, voltando em seguida ao seu posto de observadora,  se protegendo do sol com um guarda-chuva .O ponto dos pedintes é dela, ou é ela quem administra. 



Pedidos e agradecimentos são feitos aos pés dos santos, acendendo velas e orando baixinho. Roupas, chapéus, pernas braços de cera, fotos, fios de cabelos e uma infinidade coisas deixados pelos visitantes, transformam a sala dos milagres num deposito de entulho. 
entulho acumulado na Sala das Promessas

As paredes de pedras são tocadas respeitosamente pelos fiéis que em seguida fazem o sinal da cruz. As estalactites da Gruta da Mangabeira são para muitos sagradas com poderes milagrosos, por causa dessa crença milhares, pontas que levaram milhares de anos para crescer foram arrancas pelos fiéis. Há quem acredite que as estalactites têm poderes de curar doenças e até acabar com fortes tempestades.  


Os grupos de romeiros chegam com a missão de atravessar a enorme caverna. São 3.230m, dos quais 850m  iluminados. É possível agendar a travessia na administração da gruta  que dispõe  de guias e fotógrafos autorizados. O preço da travessia custa R$ 40,00 por grupo que pode conter quarenta pessoas. No percurso, o visitante passa por dezenas de salões de tetos cobertos de estalactites, um espetáculo!
Visitantes observam o teto de estalactites

  O guia conduz o grupo segurando um lampião a gãs, mostrando as semelhanças das formações das estalactites com uma   diversidade de coisas, desde coração, buda, buda sentado, toalhas penduradas, mapa do brasil, o coração da Virgem Maria até bichos e santos. Nem tudo se parece com o que é comparado. Depende, portanto, da "gestalt" de cada um. Debaixo daquele chão onde há pouco oxigênio e nenhuma luz natural, fica difícil acreditar que algum ser vivo habita a gruta. Mas o guia responde que já foi encontrado uma espécie de "grilo-albino" que é cego e se alimenta de migalhas de biscoitos consumidos pelos visitantes durante a passagem. É comum ver embalagens de balas, chicletes, biscoito e até garrafas plásticas jogadas no chão da gruta. Por causa disso - explica o guia - é feita uma limpeza no local uma vez por semana. 
Depois de mais de uma hora debaixo do chão surge um clarão, uma imensa saída que exige folego para conseguir subir mais de cem degraus.

Lá fora bares oferecem bebidas e comidas. Transportes cobram R$ 1,00 para levar o exausto visitante de volta ao povoado. 
Valter Oliveira visita a Gruta desde 1981
Para o romeiro Valter Oliveira, 60 anos, a travessia é um exercício de fé que ele cumpre desde de 1981, quando foi agraciado por um milagre. Na época médicos lhes disseram  que era preciso  inserir um cateter para manter o funcionamento do seu coração, mas Valter preferiu pedir ajuda aos céus em sua primeira visita a gruta. Trinta anos depois ele garante que seu coração se mantém forte e a travessia é uma prova disso.  

Veja mais fotos da Gruta da Magabeira: http://www.flickr.com/photos/jesusdias/sets/72157627604711057/http://www.flickr.com/photos/jesusdias/sets/72157627604711057/

2 comentários:

  1. As fotos já são as suas Ju? Se foram, está de parabéns, excelentes fotos. Gostei muito da foto da Romeira com os trajes tradicionais. Continue fazendo esse trabalho maravilhoso

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  2. Ótimo texto Ju, lindas fotos. Parabéns.

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