Ter que pegar ônibus lotado todos os dias para ir ao trabalho. Enfrentar o trânsito, violência e poluição. Batista cansou da vida na ''babilonia'', deixou tudo pra trás: trabalho, estudo, amigos e família na capital da Bahia, Salvador e decidiu ir para um lugar cercado de verde, serras e cachoeiras. No Vale do Capão ele pretendia descansar trinta, mas, passaram-se sessenta, noventa, cento de vinte dias e Batista continua longe da ''babilonia'', praticando o desapego, dividindo as refeições, os tragos nos baseados com outras pessoas que conhece no Vale e fazendo arte com elas. De manhã ele liga seu mp3 para ouvir canções dos Novos Baianos, Edson Gomes, Elis Regina e Psy Trance. Quando surge alguém com um violão, ele saca a gaita afinada em ré menor, e cede sua flauta doce para alguém tocar. A música descompromissada encanta o jovem de vinte e dois anos, assim como o descompromisso com as horas que reina no vale. Uma filandesa de olhos azuis está numa situação igual; não consegue deixar a vida do Vale. Há meses longe de casa ela parece confusa quando fala em voltar ao seu país. Acha melhor esperar o tempo certo, sem forçar nada, um mês ou dois, talvez.
Diogo está chegando agora, juntamente com a esposa argentina e uma filhinha de dois anos, Amazonas. Depois de abandonar a vida de operário numa fabrica de plásticos da capital paulista,virar hipie, conhecer o Brasil de norte a sul, ir além das fronteiras, passar pela Bolivia, Peru e Venezuela ele pretende ficar alguns meses no Vale do Capão.
Soteropolitanos, finlandeses, paulistas, argentinos, amazonenses, americanos, italianos, franceses, cariocas... gente do mundo todo chegam para descobrir o exuberante vale verde, cercado por serras gigantes, situado no coração da Chapada Diamantina. Misturam-se aos nativos baianos de fala mansa, dividem o espaço e quase sempre a cultura, pois nem todo nativo gosta de Maracatú e Transe e nem todo ''gringo'' gosta de forró eletronico romântico, mas, nas ruas de chão, que vão além dos paralelepipados do povoado de Caeté-Açú, eles se cruzam: os gringos branquelos de olhos azuis, cabelos arruinados pelos drads com roupas excêntricas e os nativos morenos de cabelos naturalmente encarolados vestindo o jeans da moda.
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| traunsentes andam pelas ruas de chão de Caeté-Acú |
O Vale do Capão fica no município de Palmeiras, há 457 quilometros de Salvador. O turismo na região cresce desde de 1985, quando foi criado o Parque Nacional da Chapada Diamantina.
Mais de uma centena de pousadas espalham-se pelos arredores do povoado de Caeté-Açú e quase todas possuem ambientes e atendimentos sofisticados para o público mais exigente.
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| Feira livre de Caeté-Acu |
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| Lojas vendem roupas inspiradas em duendes |
No Capão não se pode ficar parado sem "fazer". É comum ouvir nas conversas o uso do verbete para se referir às trilhas:
- Você vai "fazer" o pati amanha?
Quem não quiser ''fazer'' as trilhas durante o dia pode aproveitar as aulas de malabarismos, trapézio, teatro, massagem chineza, oferecidas no Circo do Capão - uma lona permanente armada que abriga nas casinhas de madeira, artistas franceses, paulistas e cariocas.
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| malabarista do Circo do Capão |
As aulas custam R$ 20,00 e podem durar a tarde inteira. A noite há apresentações de bandas de reggae, voz e violão, forró pé de serra, saraus literários, maracatus e exibições de filmes cults, nas bibliotecas e pousadas. Tudo de graça.
É preciso ir ao Vale do Capão preparado, com calçados apropriados para trilhas, ou munido de um violão, pincéis e tinta ou papel e caneta, pois o local é ideal para quem procura inspiração.
É comum ver manifestações de amor ao capão nos muros, através de grafites e de rabiscos que pregam a liberdade, o amor ao próximo à natureza e ao sexo livre.
Tanta diversidade e misticistmo faz do Vale do Capão uma terra mágica que abriga nômades do mundo inteiro mantendo-se preservada com cercas que surge naturalmente dos galhos da árvores. Margaridas amarelas e acácias roxas crescem nos jardins impecavelmente bem cuidados das casas e das pousadas. Quando você se cansar da sua ''babilônia'' fuja pra lá.
veja mais fotos: Flickr - Jesus Dias













muito bacana .jisus
ResponderExcluirôh Ju da uma emoçao so de lembrar dessa Terra linda e encantada!
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