domingo, 2 de fevereiro de 2014
Música, dor e prazer.
"Schopenhauer quem influenciou Nietzsche que por sua vez influenciou Freud''. " Você já leu o Anticristo?!" Era a conversa de um grupo de amigos na fila de entrada em uma casa noturna no bairro de Pinheiros. Em alguns minutos, a conversa foi da filosofia para os novos rótulos de cervejas que estão surgindo no mercado. "Cara você já tomou a Sepultura?" "Não, tomei a Iron Maiden, muito boa". À frente, pessoas vestidas em trajes éroticos - o preto e o roxo predominavam - algumas com correntes e outros adereços pontiagudos, cabelos espetados ao estilo "post punk, aguardavam a vez.
Dezenas de pessoas compareceram à útilma edição do Libertine Festival - festa dedicada aos amantes do sadomasoquismo e ao público underground em geral. No amplo espaço de três andares de uma casa noturna alugada para evento, presentes de todas as idades sentiam-se livres para explorar as suas fantasias: mãos eram apoiadas nas paredes deixando costas e glúteos livres para o açoite. Os curiosos observavam espantados os estalos das tiras de couro sobre a pele.
Na área reservada para fumantes, um homem com trajes formais ( terno e gravata) aparentemente embriagado, provocava os frequentadores, dizia ser um curioso e criticava o evento, perto dele, uma garota adepta à pratica sadomasoquísta comentava sobre a falta de experiência de alguns praticantes, segundo ela, alguns dominadores estavam chicoteando forte demais.
Trilha eletrônica obscura e pesada para as performances na pista de dança: corpos suspensos sobre cordas e cera quente pingadas sobre o corpo seminu, raspadas, em seguida, com um canivete afiado, obrigando a pessoa dominada a permanecer imóvel para não ser cortada. Houve também, Dança do Ventre e uma longa e triste encenação teatral.
Fantasias eróticas ao som de músicas obscuras em perfeita harmonia... liberdade para os amantes da dor.
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